Como o viés inconsciente pode influenciar a sua carreira

O ser humano é um animal racional, certo? Você já deve ter ouvido isso muitas vezes, porém, o que você pode não saber é que apesar de termos o cérebro mais desenvolvido do que os outros animais, ainda somos muito influenciados por nossos instintos e emoções.

Para tomar decisões rápidas, identificando se determinada situação/pessoa nos oferece perigo, acionamos uma parte do cérebro que faz essas avaliações em frações de segundos e envia um comando que pode ser: fugir, atacar ou permanecer e confiar. Em nossa sociedade talvez não hajam tantos perigos eminentes, mas essa função foi importantíssima para a sobrevivência de nossos antepassados e permaneceu fortemente em nosso cérebro.

Esse mesmo sistema leva ¼ de segundo para avaliar a personalidade de alguém que acabamos de conhecer. Sabe aqueles 2 minutos que você tem para causar uma impressão? Então, na verdade é bem menos do que isso.

E para fazer essa avaliação tão rápida, o cérebro se apoia em estereótipos de comportamentos para qualificar as pessoas. Esses conjuntos de informações podem ser desenvolvidos a partir de experiências próprias ou aprendidos em sociedade e são chamados de vieses inconscientes. E como o próprio nome diz, são inconscientes e você não os controla de imediato.

O que parece uma decisão totalmente racional, na verdade está calcada em impressões generalizadas que mudam de acordo com o contexto social, cultural e vivências pessoais, e é mais conhecido como preconceito, no sentido de ser um conceito formado previamente, sem embasamento ou avaliação mais apurada.

E qual a influência disso em sua carreira? Para entender melhor, vou exemplificar os principais tipos de vieses:

  1. Viés da Afinidade:

Avaliamos positivamente pessoas que tem gostos parecidos com os nossos ou histórias de vida semelhantes, como por exemplo, ter estudado na mesma faculdade, torcer para o mesmo time de futebol ou frequentar os mesmos lugares.

  1. Viés da Percepção:

Reforçamos os estereótipos com dados externos para comprovar o que pensamos. Se eu acredito que homens são melhores em exatas e mulheres são melhores em humanas, qualquer situação em que isso ocorra servirá como comprovação do estereótipo.

  1. Viés Confirmatório:

Baseado principalmente na sua vivência, a pessoa cria um tipo de teoria e procura seletivamente dados para comprová-los. Por exemplo, se eu tive muitos problemas com um carro vermelho que comprei, posso achar que essa cor dá azar e a cada carro vermelho batido que eu vejo, comprovo minha teoria.

  1. Viés de grupo:

Para pertencer a um grupo, a pessoa segue o que a maioria diz para não contradizê-las.

  1. Efeito Halo:

Avalia uma determinada pessoa de forma superestimada ao receber uma informação que lhe parece positiva, sem conhecer o todo. Por exemplo: a pessoa resgata animais em situação de rua, então seu caráter passa a ser inquestionável, devido a esse único critério. É como se uma atitude positiva tivesse o poder de livrar essa pessoa de qualquer julgamento negativo.

Portanto, os diversos tipos de vieses são uma barreira principalmente às mulheres e qualquer outro indivíduo que seja diferente daqueles que estão em altos cargos corporativos. E essas barreiras são invisíveis e difíceis de contornar.

Em uma sociedade acostumada a dar mais oportunidades aos homens e desacreditar a competência das mulheres, são frequentes os vieses que as colocam em grande desvantagem seja para conseguir um emprego ou avançar profissionalmente.

Os vieses influenciam diretamente as contratações de pessoas, promoções, indicações a cargos mais importantes, ofertas de oportunidades e assim por diante.

O primeiro passo é reconhecer em você esses pensamentos e questionar suas percepções, evitando dar continuidade a esse ciclo.

Por sua vez, a empresa que deseja diminuir os vieses deve investir em:

– treinamento

– estimular seus colaboradores a pontuar comportamentos errados

– vigiar e promover uma estrutura de apoio

Só existe meritocracia no desenvolvimento de carreiras, se conseguirmos diminuir os vieses.

Eu acredito que isso seja possível. Já conseguimos avançar bastante, se compararmos às gerações anteriores. Basta que continuemos atentas às nossas percepções e estivermos dispostas a ajudar umas às outras, como os homens sempre fizeram entre si.