Resiliência, Mudança e Felicidade – um conto moderno

Era uma vez três irmãs chamadas Resiliência, Mudança e Felicidade.

Resiliência era a mais velha de todas. Tinha um caráter firme e aguentava a pressão muito bem, conseguindo adaptar-se às situações com facilidade sem se alterar tanto.

Já a Mudança era instável e a mais jovem de todas. Podia variar de humores e opiniões muitas vezes por dia e era apaixonada por tecnologia e inovação. Viver com ela era uma aventura.

E a Felicidade era a mais frágil de todas. Muito alegre, porém, sentia medo com muita facilidade e por isso, às vezes se escondia de tudo e de todos.

Resiliência queria manter suas irmãs próximas porque gostava muito delas. Sua vida sem a Felicidade era triste e sem a Mudança sentia-se aborrecida e sem motivação.

Porém Felicidade não gostava da Mudança. Sua instabilidade confundia e amedrontava a frágil Felicidade e constantemente elas brigavam e se afastavam. Achava que a Mudança iria tirar tudo o que ela havia conquistado e por isso, Felicidade tinha muita raiva dela.

A Mudança até tentava se aproximar da Felicidade, ela queria muito bem a sua irmã, mas não havia jeito de mantê-las unidas.

Um dia, Resiliência teve uma ideia! Ela iria convencer a Felicidade de que conviver com a Mudança era bom. Parecia um projeto de longo prazo, talvez até impossível, mas não para a Resiliência! Esse era o seu forte, encarar grandes projetos, transformando-as em pequenas etapas. E o impossível não existia para ela. Já havia vencido muitos desafios e não iria parar justo agora diante de algo que para ela era tão precioso: a união da família.

Elaborou seu plano e, contando com sua grande fé em si mesma partiu para a ação.

Resiliência então, decidiu que toda a chance que tivesse, iria mostrar para Felicidade que a Mudança poderia ser boa, que ela traria boas oportunidades, bastava olhar com atenção. E a cada vez que conseguisse aproximar um pouco mais a Felicidade da Mudança, a Resiliência iria comemorar como se fosse uma pequena vitória.

No começo seu plano foi um fiasco. Ela acabou deixando a Felicidade contrariada e ficou muitos dias sem falar ou ver a irmã.

Resiliência percebeu seus erros e se perdoou, como estava acostumada a fazer. E esse autoperdão, dava a ela mais forças para continuar o seu plano. Sabia que falhas ocorreriam, que talvez ela usasse as palavras erradas com a frágil Felicidade, mas tinha um propósito firme e os erros a ajudavam a afinar o seu discurso.

Resiliência conhecia a si mesma muito bem e perguntava “o que de pior pode acontecer se eu tentar?” E a cada reflexão percebia que o pior mesmo era ter as irmãs queridas separadas, ou seja, o pior era não fazer nada.

Ela não tinha medo de espantar a Felicidade, sabia que ela sempre a acompanharia. E também sabia que não ira perder a Mudança por tentar unir as três irmãs. A Mudança era instável, mas não era mal intencionada, ela era apenas espontânea demais.

Finalmente, como era de costume, por sua persistência a Resiliência venceu. Conseguiu mostrar para a Felicidade que uma vida sem Mudança era uma quase morte e que sua irmã era presença inevitável porque a Resiliência não abriria mão dela.

Felicidade, então, abraçou a Mudança e as três viveram juntas e em equilíbrio até o fim dos tempos.

Bom, é claro que a Resiliência era sempre  convocada para solucionar pequenas desavenças entre suas irmãs, mas isso ela já era craque em fazer!