Tempus Naturalis x Tempus Machina

O descompasso da percepção do tempo natural em relação ao tempo das máquinas é sentido nas relações interpessoais, mas também nos ambientes corporativos.

Não raro recebo clientes jovens por volta dos 25 anos que sentem que suas carreiras não estão avançando e que não conquistaram postos de liderança que tanto almejam.

A primeira questão que eu sempre pondero com eles é se esse avanço profissional, nessa velocidade, é algo que realmente acontece no mercado em que eles atuam ou se estão se comparando com outros profissionais (talvez mais experientes), que ocupam atualmente a posição que eles desejam.

Sou a primeira a questionar os modelos que reproduzimos das gerações anteriores, mas há algo que não conseguimos mudar ainda: a passagem do tempo natural, o nosso tempo.

Desde forma-se na barriga de nossas mães, aprender a andar, falar, desfraldar e tantas outras etapas comuns a qualquer criança, é nítido que isso não se faz de um dia para o outro.

Porém, esquecemos como foi aprender outro idioma, quanto tempo levou ou ainda quanto esforço foi empreendido nessa tarefa.

Comparamos, cruelmente, nossas vidas com pessoas que estão no topo de suas carreiras, achando que porque sua fama foi meteórica, o processo para chegar até lá também o foi. E sentimo-nos miseravelmente incompetentes porque estamos tão aquém dessa pessoa.

Ledo engano que só gera sofrimento. Para ocupar um cargo de liderança ou mesmo conduzir uma start up bem sucedida, é necessário tempo da gente e não o da tecnologia.

Comparar-se com os profissionais, cujas carreiras de sucesso são exceções, é colocar mais empecilho aos seus avanços do que efetivamente estimulá-los.

A facilidade com que instalamos um aplicativo de banco e transferimos qualquer quantia de uma conta para outra em poucos segundos, parece nos induzir a achar que nossas carreiras precisam avançar na mesma velocidade.

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Porém, nós não nos desenvolvemos tão rapidamente assim, infelizmente ou felizmente.

Para conduzir ou liderar é necessário tempo para acumular experiência, desenvolver habilidades específicas, equilíbrio emocional, resiliência, visão de futuro e principalmente, gerenciamento de pessoas.

É muito importante ter modelos e um objetivo ao longo prazo, porém, além disso, é preciso definir os milestones (etapas) em sua trajetória e ajustar comparativamente o tempo de desenvolvimento profissional.

Além disso, as etapas são importantes para que você se mantenha motivado e com gás para batalhar pelo seu futuro. Essas etapas podem e devem ser comemoradas tanto quanto o objetivo final, já que elas compõem o seu plano.

Etapas podem ser cursos a serem concluídos, cargos, promoções, projetos e nível de autonomia conquistado.

Se pensado dessa forma, seu objetivo final que parece longe, torna-se um pouco mais próximo a cada etapa vencida.

E sua percepção de evolução torna-se permanente. Você não começa estagiário e chega a Presidente, você vai galgando suas posições e adaptando-se ao tempo real das pessoas.

Sonho com o dia em que instalaremos chips de conhecimento e aprenderemos algo novo em segundos.

Porém, por enquanto, administrar a ansiedade, dedicar-se a capacitação e ajustar os níveis de comparação é uma boa alternativa a ficar torturando-se com expectativas fictícias. E perceba que mais importante do que a velocidade é ter a certeza de que está rumando de forma consistente na direção de seus objetivos.

#sejamais