Você tem medo do seu sucesso?

A experiência de dedicar-se a desenvolver as pessoas torna-se algo tão enriquecedor porque você acaba assumindo papel de aprendiz e ao mesmo tempo instrutor. Não raro tenho conversas com meus clientes (coachees) que acabam tornando-se poderosos insights para mim e também para eles. E não raro deparo-me com coachees que são espelhos de determinados comportamentos meus e que vistos de fora, adquirem um novo potencial para serem moldados em mim, enquanto nos dedicamos a moldá-los a pedido do coachee em si mesmo.

Não existe coaching sem troca. Não existe atendimento unilateral. Se isso ocorrer, não é coaching, é outra coisa.

Fato é que esse texto nasceu de uma conversa com uma amiga coachee e de um esbarrão em uma citação no livro “O Mensageiro Milionário” de Bredon Buchard . Achei que o destino estava jogando esse assunto insistentemente na minha frente.

E pergunto para você, esse pensamento já te ocorreu? Você tem se boicotado com medo de ser bem sucedido? Destacar-se por ter um bom desempenho faz com que você tenha medo de despertar inveja? Acha que não é merecedor de ganhar dinheiro? Fica repetindo que não tem talento ou habilidade para chegar lá?

À princípio se você disse sim, não se culpe, me arrisco a dizer que essas crenças fazem parte de nossa cultura, estão enraizadas e são resultado de uma doutrina religiosa punitiva, de muitos anos de instabilidade e de uma concentração de renda incrivelmente desproporcional.

Passei a observar esse comportamento nas pessoas, que, ao serem questionadas no cotidiano, fazem algum comentário de como a vida está difícil, como o dinheiro é curto, como a roupa que compraram estava em liquidação e etc. Sabendo que se agirem contrariamente, rapidamente sentirão que o interlocutor os está considerando arrogantes ou mentirosos.

Como falar que seu negócio anda bem, vendo que ao seu redor várias lojas fecharam? Como explicar que você pode viajar com sua família para um destino bacana enquanto outras pessoas perderam seus empregos e passam por dificuldades?

Torna-se um dilema ético, uma questão de compaixão com o próximo.

Porém, pensar dessa forma, dar a si mesmo esses comandos, o mantém exatamente na posição em que você fala e da qual você gostaria de sair. Este é um princípio amplamente abordado pela PNL (programação neurolinguística).

Nosso cérebro é um poderoso executor de comandos. Ao falar repetidamente que o dinheiro é sujo, que você não tem talento ou que você vai perder os seus amigos se for bem sucedido, você está dando um comando ao seu cérebro: “fique onde está, fracasse, não chegue a lugar algum.”

A síndrome de Solon, síndrome que leva o nome do psicólogo (Solomon Asch) que a identificou, é definida pelo princípio da conformidade, sendo que “conformidade é o processo por meio do qual os membros de um grupo social mudam seus pensamentos, decisões e comportamentos para estar de acordo com a opinião da maioria.”

Mais um forte indicador para que você continue como a maioria para não despertar a inveja alheia.

Então, você deve estar se perguntando: o que fazer, como resolver esse dilema?

Como não acredito em fórmulas mágicas, cada um deve identificar a crença que não o está ajudando e trocá-la por outra que seja fortalecedora. Claro, um coach irá auxiliá-lo nesse processo, você não precisa fazer isso sozinho. Mas não posso dizer que pensamentos você deve ter.

Uso o trecho de um livro para clarear os seus reflexões: “Sentir-se envergonhado, não serve ao mundo…Não há nada iluminador em se encolher para que outras pessoas não se sintam inseguras à sua volta…Quando somos liberados de nosso próprio temor, nossa presença automaticamente libera os demais” Marianne Williamson em trecho do seu livro “Um retorno ao amor”.

Por isso, encorajo-o a liberar o seu potencial, outras pessoas podem estar inspirando-se em você! Seja luz e não escuridão. Seja Mais!